Como um programa de formação em ESG apoiou a Sicredi Dexis na construção da própria matriz de materialidade

Quando a Sicredi Dexis decidiu construir uma materialidade própria em nível local, tornou-se a primeira cooperativa do Sistema Sicredi a dar esse passo. O movimento não substitui a materialidade sistêmica da rede, que segue como base das análises e dos direcionamentos, mas a complementa com as particularidades da sua realidade. A escolha começou por onde poucas iniciativas ESG começam: pela educação.
Matriz de materialidade é o resultado de uma análise que identifica e prioriza os temas ESG mais relevantes para uma organização, cruzando o que importa para o negócio com o que importa para as partes interessadas. No caso das cooperativas, esse olhar ganha uma segunda camada, a da dupla materialidade: não se avalia apenas como os temas afetam a instituição, mas também como a própria instituição afeta as comunidades e a região onde atua.
O ponto de partida era desafiador. O grupo de trabalho responsável pela materialidade reúne todos os gerentes da cooperativa, profissionais de áreas distintas e com diferentes níveis de familiaridade com o tema. Havia um começo, mas faltava repertório técnico e uma linguagem comum para transformar boa intenção em método.
“Boa parte do trabalho vínhamos desenvolvendo internamente, mas sentimos a necessidade de trazer uma visão externa para a discussão e a ESGreen entrou como uma solução personalizada que nos trouxe percepção externa, provocação e direcionamento” conta Vitor Bonilha, gerente de Estratégia e Sustentabilidade da Sicredi Dexis.
É aí que entra o programa desenhado pela ESGreen Educação. No formato ESG Lab, a solução combinou quatro momentos formativos ao longo de cerca de 90 dias, dois presenciais e dois virtuais, um síncrono e um assíncrono. A jornada abriu com uma etapa de integração e autoconhecimento, conduzida por Ana Paula Candeloro, diretora de ESG, e por Henrique Klein, head de Educação. Seguiu por um webinar que aproximou os gerentes da Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) e do próprio conceito de materialidade, com participação de Mauricio Rodrigues, CEO da ESGreen. Depois, um curso específico de TSB conectou o grupo às práticas e regulações de mercado.
O ciclo se encerra na segunda metade de agosto, com o ESG Lab. Nesse encontro, os gerentes têm contato pela primeira vez com a matriz que eles mesmos elegeram, e trabalham quatro narrativas que os levam a olhar para o presente, para o futuro e para situações não previstas, entendendo como cada tema escolhido se relaciona com esses cenários. Mauricio conduz uma reflexão sobre materialidade como estratégia de competitividade ESG, e a própria Dexis apresenta de onde veio e para onde vai a sua matriz.
Um ponto é central para entender o resultado: a ESGreen não construiu a matriz de materialidade da Dexis. Quem construiu foram os próprios gerentes. O papel do programa foi outro, estimular conhecimento, técnica e informação para que a cooperativa produzisse a sua matriz com autonomia.
O saldo é concreto. Toda a camada gerencial da cooperativa passou pela formação, e um grupo que partiu de um estágio inicial chega agora à conclusão da própria matriz de materialidade, mais preparado para levar a sustentabilidade ao planejamento estratégico e à governança.
“Uma experiência muito agregadora para o desenvolvimento que estamos realizando na cooperativa, a definição dos nossos temas materiais. O conhecimento trazido pela Ana Paula e o processo que o Henrique conduziu com os nossos gerentes foi muito importante para esse trabalho.”
Márcio Peruzzo, especialista em ESG na Sicredi Dexis
O caminho da Dexis é o mesmo que muitas cooperativas têm pela frente: transformar a intenção de fazer ESG em capacidade real de decidir. E esse ponto de partida, quase sempre, começa pela educação.