MRV na Taxonomia Sustentável Brasileira: o que muda na prática para instituições financeiras

A Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) cria um padrão para classificar atividades e projetos sustentáveis no Brasil.

Para o setor financeiro, isso muda o jogo: não basta enquadrar uma operação como verde, é preciso comprovar, sustentar evidências e auditar.

É aí que entra o MRV (Monitoramento, Relato e Verificação) da ESGreen: Um conjunto de rotinas, dados e controles que tornam a taxonomia aplicável no crédito, no risco e no compliance agora, atendendo a pressão regulatória e do mercado por rastreabilidade e consistência de informações.

O que é a Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB)

A TSB é um sistema de classificação que ajuda a determinar se atividades, ativos e categorias de projetos contribuem para objetivos estratégicos (ambientais e socioeconômicos) definidos para o contexto brasileiro. Na prática, ela organiza critérios técnicos e um vocabulário comum para reduzir ambiguidades em “finanças sustentáveis”.

Por que a TSB importa para bancos e cooperativas

Para instituições financeiras, a taxonomia tende a impactar diretamente:

  • concessão e precificação de crédito (elegibilidade e condições);
  • produtos e instrumentos sustentáveis (captação, títulos, funding);
  • gestão de riscos (socioambientais e climáticos) e controles internos;
  • auditorias, prestação de contas e relatórios para reguladores e stakeholders.

Aviso de escopo: a aplicabilidade pode variar por setor econômico, tipo de produto financeiro, porte da contraparte e classificação/regra interna de cada instituição (políticas e apetite a risco). Use a TSB como base, mas operacionalize conforme governança e critérios internos.

O que é MRV (Monitoramento, Relato e Verificação) e por que ele viabiliza a taxonomia

MRV (Monitoramento, Relato e Verificação) é a camada operacional que garante que a classificação “sustentável” não fique no discurso. Em termos simples:

  • Monitoramento: coletar e acompanhar dados e eventos relevantes ao longo do tempo (não só no onboarding).
  • Relato: consolidar informações em um formato consistente (interno/externo), com rastreabilidade.
  • Verificação: validar evidências e controles (checagens, testes, auditoria, trilha de decisão).

A própria construção da TSB inclui discussões sobre Sistema de MRV, reforçando que taxonomia sem MRV vira intenção sem prova.

O que “provar” significa na prática

Para o setor financeiro, “provar” normalmente exige:

dados verificáveis (fontes confiáveis e rastreáveis);

  • evidências documentais (licenças, laudos, relatórios, certificados, políticas);
  • trilha de auditoria (quem validou, quando, com base em quais evidências);
  • coerência entre áreas (crédito, risco, sustentabilidade, jurídico, compliance);
  • critérios auditáveis por atividade/segmento (ex.: enquadramentos por CNAE quando aplicável).

O que muda na rotina de crédito, risco e compliance

A seguir, um mapa prático do que tende a mudar quando a taxonomia começa a orientar decisões.

1) Crédito: elegibilidade e condições deixam de ser “opinião”

  • Definição de critérios mínimos para enquadramento sustentável por tipo de operação.
  • Exigência de pacote de evidências (documentos + indicadores + controles).
  • Regras de revalidação periódica (não é “uma vez e pronto”).

2) Risco: taxonomia entra na esteira de monitoramento contínuo

  • Integração do MRV ao ciclo de risco socioambiental e climático e às políticas da instituição.
  • Gatilhos de reanálise quando houver mudanças materiais (eventos, passivos, incidentes, alterações societárias, sanções, etc.).
  • Alinhamento com estruturas exigidas para Política de Responsabilidade Social, Ambiental e Climática (PRSAC)

3) Compliance e auditoria: evidência, rastreabilidade e governança

  • Padronização do “dossiê MRV” por operação/cliente/projeto.
  • Controles para evitar inconsistências e reduzir risco de greenwashing (intencional ou não).
  • Capacidade de responder a auditorias com dados e histórico de decisões (trilha).

Taxonomia (o “o quê”) vs MRV (o “como”)

TemaTaxonomia Sustentável Brasileira (TSB)MRV (Monitoramento, Relato e Verificação)
FunçãoDefine critérios e classificação do que é sustentávelProva, acompanha e audita o atendimento aos critérios
SaídaEnquadramento/label (elegível ou não, por critério)Evidências, trilha de auditoria e consistência ao longo do tempo
Risco principalAmbiguidade / interpretaçãoFalha de dados, evidência fraca, ausência de governança
Impacto no financeiroRegras de elegibilidade e produtosRotinas, controles, automação e auditoria contínua

Como um sistema de MRV reduz custo operacional e risco reputacional

Para instituições financeiras, o desafio não é “ter uma planilha”. É escalar: centenas/milhares de contrapartes, produtos e fornecedores, com mudanças constantes.

Um sistema de MRV bem desenhado geralmente inclui:

  • ingestão e integração de dados (fontes internas + externas);
  • checagens automatizadas e regras por critério;
  • gestão de evidências (documentos, validade, versionamento);
  • alertas e monitoramento contínuo;
  • dashboard para decisão e trilha de auditoria.

A ESGreen pode ser posicionada como infraestrutura de MRV ao oferecer:

  • monitoramento contínuo e alertas;
  • avaliação baseada em critérios e materialidade;
  • centralização e rastreabilidade para auditoria.

Da taxonomia à operação: MRV como rotina de crédito e risco

A Taxonomia Sustentável Brasileira tende a consolidar um padrão de classificação, mas o que define vantagem competitiva no setor financeiro é capacidade de comprovar: dados consistentes, evidências organizadas e verificação contínua. O MRV é o caminho para transformar intenção em rotina, com menos ruído, menos risco e mais previsibilidade.

Quer mapear rapidamente onde estão as lacunas (dados, evidências, governança, monitoramento)? Converse com um especialista da ESGreen e receba um direcionamento inicial do que priorizar.

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